Aprendendo sobre família com o Pai do Filho Pródigo

“As mudanças em sua vida param, quando você deixa de aprender”. (Mike Murdok)

 

Nada é mais gratificante para um pregador do que saber que uma vida foi transformada por Deus ao ouvir uma de suas mensagens.

Quando preguei o sermão, “Aprendendo sobre família com o Pai do Filho Pródigo”,num congresso no Estado do Rio de Janeiro, pude ver uma multidão sendo tocada poderosamente pelo Espírito Santo. Foi a partir daí que nasceu a idéia deste livro; para que milhares de outras pessoas e famílias fossem alcançadas. O meu desejo é que até o fim da leitura desta mensagem, o leitor seja envolvido pela mesma glória que nos envolveu naquele dia, marcando nossas vidas para sempre.

É bem provável que você já tenha lido, uma ou mais vezes, a Parábola do Filho Pródigo.  Porém, hoje, vamos fazer uma leitura diferente, buscando extrair o máximo que pudermos de lições que nos levará a experimentar uma dimensão de vida em família que ainda não experimentamos. Lembre-se: o segredo para crescer está no desejo de mudar. As mudanças param quando as pessoas deixam de aprender. Não foi por acaso que Jesus disse: “… aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” (Mt 11.29, grifo do autor). Nenhuma outra parábola contada por Jesus ensina tanto sobre família como essa. Estudá-la é dessedentar a alma numa fonte inesgotável de lições.

Os mestres ensinam contando histórias…

Jesus nunca ensinou de forma sistemática e específica sobre o tema  “Família”. Ao ler os Evangelhos, não encontramos nenhum estudo, como os do apóstolo Paulo, sobre relacionamento FAMILIAR; porém, tudo o que Jesus ensinou são princípios imprescindíveis e aplicáveis a todas as áreas da vida, inclusive para se construir relacionamentos saudáveis, sejam eles apenas as de um casal, sejam eles as de uma família inteira.

Como Mestre por excelência, Jesus contou muitas parábolas para ensinar lições do Reino aos seus discípulos. Contar estória sempre foi um método pedagógico muito eficiente porque as pessoas aprendem e, com facilidade, memorizam o que aprenderam. A maior prova disso é que já se passaram mais de dois mil anos e, até hoje, as crianças, os jovens, os adultos ainda aprendem com as parábolas de Jesus. Na verdade, a Bíblia é um Livro de parábolas, histórias, pensamentos e provérbios.

Eu sempre gostei de ouvir e contar estórias para os meus filhos; e isso contribuiu muito para que eles aprendessem princípios que estão bem firmados no seu coração.  Os pais deveriam gastar mais tempo contando parábolas ou até mesmo a sua própria história aos seus filhos.

O Dr. Augusto Cury, em seu livro “Pais brilhantes e professores fascinantes”, diz que: “Os pais brilhantes são agradáveis contadores de estórias. Esse hábito dos pais contribui para desenvolver criatividade, inventividade, perspicácia, raciocínio esquemático e capacidade de encontrar soluções em situações tensas”.

O adulto que, quando criança e,ou jovem cresceu ouvindo estórias ou histórias dos pais, dos avós e dos professores guardam isso com muita firmeza em suas mentes.

Spurgeon, que foi considerado o “príncipe dos pregadores” do seu tempo, dizia: “Um sermão, sem algumas estórias para ilustrar, é como um prédio construído sem janelas”.

Era fácil compreender o que Jesus ensinava por causa das parábolas que Ele contava. Seja você também um educador, um mestre na arte de contar estórias para os seus amigos, cônjuge, filhos e alunos, com o propósito de ensinar.

A mais linda de todas as parábolas!

Ao construir a Parábola do Filho Pródigo, Jesus talvez tivesse em mente um pai e dois filhos que Ele conhecia muito bem.

George Murray disse: “Essa é uma parábola que permanece incomparável dentro de toda a literatura. É a narrativa mais divinamente terna e mais humanamente tocante, jamais contada na terra”. Charles Dickens referiu-se a ela como “a melhor das pequenas narrativas jamais escritas”.      Quando fazemos uma leitura mais minuciosa e abrangente, percebemos que essa parábola tem três níveis: a rejeição do lar, a volta ao lar e a recepção na chegada ao lar.

Dois pedidos diferentes foram feitos pelo “filho pródigo”. No primeiro, ele diz: “dá-me”; e, no segundo, “faze-me, recebe-me“.

De acordo com a lei judaica, caso existissem dois filhos, o mais velho receberia duas porções; e o mais moço, um terço de todos os bens móveis. O filho mais moço tinha o direito de fazer o que quisesse com sua parte da herança, mas não tinha qualquer direito legal de exigir sua parte na herança, enquanto seu pai continuasse vivo. Essa parte da herança poderia ser-lhe dada pela graça e pela vontade livre do seu pai; e o filho só poderia pedir isso como um favor, e não como algo que lhe fosse devido por lei. É bom lembrar que o sistema de família naquela época era o sistema patriarcal. O pai era soberano, tudo girava em torno do seu governo.

Existe família perfeita, sem problemas?

Nessa parábola, Jesus descreve a família como um lugar de dor e de alegria, de encontros e desencontros, de perdas e ganhos. Ele faz uma leitura da vida FAMILIAR muito realista, sem, contudo, deixar de ser otimista. Jesus nunca pregou que a família cristã não teria problemas, nem traumas, nem dor, ou seja, que ela seria perfeita. Foi para os seus discípulos amados, queridos e amigos que Ele disse: “… para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições. Mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33).  Jesus não iludiu aqueles que aceitaram segui-lO; Ele sempre mostrou que haveria problemas na caminhada. Veja como isto está claro no final do Sermão da Montanha (Mt 7.24-27).

“Portanto todo aquele que ouve estas minhas palavras, e as pratica, será semelhante ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (v.24). Desceu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa; contudo, ela não caiu, porque estava edificada sobre a rocha (v.25). Aquele que ouve estas minhas palavras, mas não as cumpre, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia (v.26). Desceu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos, e deram contra aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua queda” (v. 27).

Através do uso figurativo da casa e da tempestade, Jesus estava querendo nos ensinar três lições importantes; Primeira: a estação das chuvas e dos ventos fortes é a grande estação da vida. Não são casuais, fazem parte do cotidiano; Segunda: a tempestade é cega, não é seletiva, e, quando vem, atinge  todas as casas que estiverem no seu raio de ação. Não existe uma família que possa afirmar: “somos imunes”; Terceira: o segredo está em construir a casa sobre a ROCHA. Ele disse: “Quem ouve e pratica a minha Palavra tem a garantia de que a sua casa não vai cair quando vier a tempestade; porém, os que ouvem e ignoram, sua casa não resistirá à força da chuva e nem o soprar dos ventos, vai cair e grande será a sua queda”.

A casa do pai do “filho pródigo” estava sendo edificada sobre a rocha.

Os dois momentos perigosos na vida…

Há dois momentos na vida que são perigosos, principalmente quando não há profundidade de caráter e nem vida espiritual consistente. O primeiro é quando se está no topo da montanha do sucesso; quando tudo o que se faz dá certo, quando as coisas acontecem melhor do que planejamos; quando tudo é motivo para celebração ou quando se alcançou uma posição de relevância e respeitabilidade. Você já ouviu dizer que o “sucesso é um terreno minado?”

Vamos usar, como ilustração, a “pirâmide do sucesso”. Enquanto você está na parte baixa da pirâmide, o espaço para os seus movimentos é grande. Poucos o conhecem, ninguém presta muita atenção em você e suas ações não representam perigo ou ameaça… Esse é um tempo relativamente tranqüilo.

Enquanto o profeta Daniel era apenas mais um escravo na Babilônia, ninguém prestava atenção nele. Porém, na medida em que ele foi “subindo de posto”, sendo reconhecido como alguém que estava fazendo toda a diferença no reino de Nabucodonozor, o espaço para os seus movimentos foi diminuindo. Cada degrau que ele subia, se expunha mais e era mais observado, analisado, notado, vigiado e perseguido. Chegaram ao ponto de vasculhar a sua vida para ver se achavam algo que comprometesse a sua integridade de caráter: “Então os presidentes e os sátrapasprocuravam achar alguma prova contra Daniel, a respeito do reino, mas não conseguiam localizar nada que pudesse incriminá-lo ou culpá-lo por alguma coisa, porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa. Então esses homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus”(Dn 6.4,5;  grifo do autor).

O sucesso é muito perigoso, porque a tendência de quem está “no topo” é a de relaxar, de “baixar a guarda” e acreditar naquilo que não é verdade, ou seja,  pensar possuir aquilo que, na verdade, não possui.

Diz a Bíblia que Daniel, como integrante do governo da Babilônia, conseguiu superar todas essas tentações; e se manteve íntegro e fiel a Deus, apesar de ter chegado ao “topo da pirâmide” do sucesso.

Alguém disse: “Dê  poder a um homem, e conhecerás o seu verdadeiro caráter”. Disse J. Blanchard: “Se o diabo não puder usar o fracasso para derrubar você, ele usará o sucesso”.Os homens que têm sua vida construída segundo os princípios das Escrituras Sagradas não se perdem quando conquistam posições elevadas ou  assumem qualquer tipo de poder. Pelo contrário, eles glorificam a Deus através de suas vidas.

Se este é o seu melhor momento, se você está experimentando sucesso em muitas áreas da vida, viva de forma criteriosa e disciplinada. Desenvolva sua  comunhão com Deus, não tire os olhos de Jesus, vença a tentação de se relaxar, “baixando a guarda” e se tornando uma presa fácil do Inimigo. É no topo, no degrau mais alto, que o homem deve reconhecer que foi Deus quem o colocou ali. E esse reconhecimento é a sensação mais maravilhosa que pode ocorrer aos nossos olhos!

Os homens verdadeiramente grandes são aqueles que reconhecem a sua pequenez diante da grandeza do Criador Eterno, o Senhor Deus Todo-Poderoso. João Batista, aquele que veio preparar o caminho do Senhor, disse: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

O segundo momento mais perigoso na vida é o tempo das perdas. O apóstolo Paulo chama esse tempo de dia mal: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir ao dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef 6.13). Jesus começa a parábola falando de um pai que experimenta esse tempo. De repente, o filho caçula, aquele que todo pai sempre tem um cuidado especial, se rebela, manifestando algo extremamente maligno, destrutivo e inadmissível. Ele diz: “Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence”. Ele pede a sua parte da herança (Lc 15.12), porque deseja ir embora de casa.

Naquele tempo, a herança só era dividida após a morte do pai. A atitude desse filho estava sendo uma afronta, um desrespeito, uma agressão. Nas entrelinhas, ele estava dizendo: “Você não faz mais sentido na minha vida…  Cansei. Para mim, se você morresse seria melhor”. Se coloque no lugar de um pai que passou por isso e tente dimensionar a dor em sua alma.

Quanto vale um filho? Só quem gera, educa, protege, cura, sustenta e investe sabe qual é a intensidade da dor da perda de um filho.

Lembro-me de uma história que ouvi de uma mãe. Ela estava dando banho em um filho, quando ouviu os gritos de desespero da filha pequena no outro quarto. Ela então foi ver o que estava acontecendo. Para seu espanto, o outro irmão estava enforcando a irmãzinha. Ela pega a criança, já toda roxa e  desfalecendo, e, desesperada,  coloca a menina no carro e sai em direção ao hospital. Ao chegar no hospital, ela ficou sabendo que a tragédia era muito maior do que se podia imaginar. A criança socorrida não havia resistido. E, ao sair com o carro, às pressas, ela, se perceber,  passou  com o veículo por cima do filho.  E aquele outro filho, que estava tomando banho,  por ser muito pequeno, acabou se afogando na banheira.

Jó também experimentou a dor da perda, pois em um único dia, ele presenciou o sepultamento de seus dez filhos.  Toda perda de grande valor gera crise, e o grande desafio nesse tempo é:  o que fazer para não se perder com as perdas?

Quantas pessoas, ao perder alguém ou algo de valor significativo, acabam se perdendo? Esposas que se perdem ao perder o marido; moças que se perdem ao perder um namorado; filhos que se perdem ao perder os pais;  empresários que se perdem ao perder sua empresa!

Para os chineses, crise pode significar duas coisas: “perigo” ou “oportunidade de crescimento”. Tudo depende da leitura que cada um faz.

O pai do “filho pródigo” fez uma leitura positiva da crise. É só observar a maneira como ele se comporta.  Ele não desistiu dos seus projetos,  dizendo:  “Arrependo-me de ter gerado filhos”.  Pelo contrário, ele continuou acreditando nos filhos como herança do Senhor (Sl 127.3).  Não desistiu deles.  A maneira como você responde aos desafios em tempo de crise revela o tipo de leitura que você está fazendo do próprio Deus.

Há dois homens na Bíblia, cuja biografia serve de inspiração para todos nós. Os dois passaram por caminhos de aflições e souberam fazer uma leitura muito positiva das perdas que enfrentaram.

Pr. Josué Gonçalves

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