Intercessor, um mediador de soluções?

Intercessor, um mediador de soluções?INTRODUÇÃO 

É certo que já ouvimos muitas pregações, ensinos e bastante dissertações teológicas no que tange à murmuração de Israel no deserto. E há quem diga que o deserto trata-se de necessidades legitimamente necessárias e dignas de serem supridas. Devo ir mais longe nesse pensamento e afirmar que necessidades básicas, tais como comida e bebida, são direitos que estão sob a tutela do mundo inteiro, pois se tratam de necessidades universais.

Olhando por uma ótica humanista a situação daquela multidão que, segundo os historiadores, era de quase dois milhões de pessoas, chegaremos à conclusão que suas murmurações e lamurias contra Moisés eram de certo modo legítimas. No entanto, a proposta de Deus para aquele tempo no deserto não tinha como objetivo revelar ao povo o quanto poderia suprir suas necessidades e, sim, o quanto queria ser conhecido no meio deles.

Israel foi salvo do Egito, porém eles continuaram em seus corações buscando a Deus como um salvador, não agora de suas pessoas, mas de suas necessidades e interesses. Não compreenderam que o Deus que foi o salvador deles no Egito agora queria ser Senhor deles no deserto.

A construção do bezerro de ouro veio para trazer a notoriedade disso, revelando a verdadeira motivação e busca de seus corações. “Achando o povo que Moisés tinha morrido, disseram: constrói-nos o deus que nos tirou do Egito”. Na verdade, eles reproduziram no bezerro de ouro a ideia que tinham dentro de si a respeito de Deus: o salvador de seus interesses, do seu bem-estar.

Não que isso não seja humanamente legítimo, ter um Deus que se interessa pelos nossos interesses, pois temos promessas de que “Deus suprirá todas as nossas necessidades em Cristo”. No entanto, devemos compreender que o mesmo Deus que supre as nossas necessidades quer ser Senhor das nossas necessidades.

É essa também a teologia paulina no que se refere a esse assunto: “nem a morte nem os anjos nem a fome, etc”. Paulo servia a um Deus que não apenas era salvador de sua alma, como era também o Senhor de todas as suas necessidades.

Voltando ao Êxodo, veremos que as necessidades do povo no deserto, mesmo que legítimas, serviram para revelar a resistência interna e sua oposição em querer desfrutar de Deus como Senhor, preferindo a segurança ao risco, a mobilidade ao dinamismo, o passado ao amanhã que Deus prepararia.

Uma Palavra aos Intercessores

Devo me reportar à pessoa de Moisés como intercessor daqueles quase dois milhões de pessoas. Penso na forma como ele ouvia cada queixa, particular ou coletiva. Devo pensar na mensagem que, penosamente, o líder tentava introduzir na mente e no coração daquelas pessoas que, todos os dias, por um período de 40 anos, vinham a ele em busca das suas soluções.

Devo salientar que a maior frustração de Moisés como líder e intercessor com aquela geração foi de não ter tido êxito em passar a imagem de Deus como o Senhor deles, o que fez de suas mais extremas necessidades uma oportunidade de darem todo o direito de suas dúvidas a Deus.

Penso que a cerne do entendimento do encargo de Moisés como intercessor – e ao mesmo tempo o seu maior conflito – partiu da compreensão de que ele não estava ali para orar ou ser mediador de soluções. Não estava ali para dar respostas às necessidades das pessoas. Pelo contrário, estava ali para ensiná-las que aquelas necessidades, por mais extremas que fossem, deveriam funcionar como um “aio”, isto é, um guia, que os levaria a um lugar em Deus onde nunca estiveram antes.

Oramos sempre por soluções e deixamos de orar a vontade de Deus! É sábio dizer que não é da vontade de Deus que soframos. Porem, é vontade de Deus nos ensinar, nos fortalecer e nos levar a um lugar nEle, através do sofrimento.

Eleuza Bretas
RMI

 

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