Cinco deslizes na alimentação que põe sua saúde em risco.

Esses hábitos são comuns e escondem ameaças silenciosas, previna-se

Você já está cansado de saber que bons hábitos alimentares são ótimos aliados para manter a saúde em dia. O perigo, porém, se encontra no verso da moeda, quando alguns deslizes na hora de sentar à mesa resultam em situações de risco. Para te alertar sobre todas as armadilhas que rondam as suas refeições, a responsável pela equipe nutricional do Dieta e Saúde, Roberta Stella, aponta, a seguir, as consequências de cinco falhas alimentares e ensina a virar o jogo a favor da sua saúde.

Prejuízos salgados demais

Se você adora sentir o gostinho do sal em seus pratos e não dispensa o saleiro da mesa, pode estar extrapolando na quantidade do tempero. “As pitadas de sal além da conta estão relacionadas com o desenvolvimento de hipertensão arterial que, quando não controlada, pode levar a males como derrame, ataque cardíaco, falência do coração e dos rins”, lembra Roberta.

 

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O ingrediente que oferece tais perigos é o sódio e, por isso, sua quantidade diária deve ser limitada a 1,5 gramas o equivalente a 3,8g de sal por dia. Segundo a nutricionista, é importante destacar que a quantidade de sal refere-se não só ao tempero adicionado na hora da refeição, mas também ao que é usado durante o preparo da receita, além do contido em alimentos industrializados . A especialista exemplifica dizendo que em um pacote de sopa individual dá para encontrar até 800 mg do mineral. Ou seja, mais da metade do valor recomendado para o dia todo.

Boas medidas para não ultrapassar a quantidade recomendada de sódio são: reduzir a quantidade de sal utilizada no preparo dos alimentos, evitar que o saleiro fique à mesa, e não adicionar sal antes de experimentar o alimento, reduzir o consumo de produtos industrializados como tabletes de caldos, sopas, enlatados e embutidos, usar temperos naturais para dar sabor aos pratos que levam sal e não esquecer de verificar a quantidade de sódio que alimentos industrializados apresentam. Se o alimento apresentar mais de 20% do valor diário recomendado (%VD), ele contém alta quantidade de sódio. Procure por aqueles que representam 5%, ou menos, do valor diário recomendado , aconselha a nutricionista.

 

Colesterol elevado, perigo para o coração

Você considerava seu cardápio balanceado até descobrir, em uma visita rotineira ao médico, que suas taxas de colesterol estavam desequilibradas. Provavelmente, o problema surgiu devido a uma participação frequente de alimentos ricos na gordura em seu cardápio, isto é, os alimentos de origem animal.

Quando as taxas de colesterol estão elevadas, os riscos de desenvolvimento de doenças coronarianas aumentam. Segundo a especialista do Minha Vida, a boa notícia é que o colesterol pode ser mais facilmente controlado, se comparado a outros fatores de risco, como hipertensão e diabetes. Adotar uma alimentação saudável, aumentar o nível de atividade física e abandonar o cigarro são atitudes altamente eficazes para reduzir as taxas de colesterol , diz ela, lembrando que, para algumas pessoas, tais atitudes não são suficientes e o médico pode indicar um medicamento para controlar o colesterol.

Na lista dos alimentos que oferecem boa quantidade da gordura que você deve evitar, estão leite integral, queijos, creme de leite, leite condensado, carnes gordas, embutidos, miúdos, fígado, pele de frango e manteiga. Por causa de seus ingredientes, bolos, tortas e doces em geral também apresentam boas doses de colesterol e, por isso, a quantidade consumida deve ser controlada.

Roberta dá as alternativas para quem não quer extrapolar nas doses de colesterol: troque o leite integral pelo semi-desnatado ou desnatado, o iogurte natural pelo light, a carne gorda pela magra, a manteiga pelo creme vegetal, os queijos amarelos pelos brancos, retire a pele do frango, evite embutidos como mortadela, salame e presunto com capa de gordura e controle a ingestão de ovos, principalmente a gema .

 

Refeições sem carboidratos e sem energia

Quando você quer dar uma enxugada na silhueta, restringe a participação dos carboidratos no menu, excluindo-os do jantar. De acordo com Roberta, o maior erro de quem corta arroz, pães, massas, batata ou outras fontes de carboidratos de alguma refeição, é não atingir a quantidade diária ideal do nutriente, que deve fazer parte de 50 a 60% do valor calórico total da dieta. Para um cardápio de 2.000 calorias, isso significa que de mil a 1.200 calorias devem ser obtidas dos carboidratos, equivalente a, em média, 300 gramas desse nutriente distribuídos entre todas as refeições do dia.

A especialista alerta que se a alimentação é pobre em carboidratos, o organismo começa a queimar gorduras como fonte de energia, em vez de glicose, principal energia para o funcionamento dos órgãos. A quebra de gordura dá origem às cetonas, fazendo com que o corpo entre em um estado metabólico chamado de cetose. Assim, pessoas que seguem uma alimentação com baixa quantidade de carboidratos podem apresentar sintomas como fraqueza, desânimo, sonolência e mau hálito, fala a nutricionista sobre as consequências do corte de carboidratos.

Além desses sintomas, Roberta conta que priorizar as proteínas e dar pouco espaço para os carboidratos, a longo prazo, pode resultar em distúrbios do colesterol e sobrecarga dos rins. Outro erro comum entre as pessoas que acreditam no boicote aos carboidratos é não saber identificar quais são as fontes alimentares do nutriente.

O principal objetivo de quem corta o carboidrato de uma ou mais refeições do dia é o emagrecimento. Para não recorrer aos carboidratos, muitas pessoas fazem substituições, usando legumes, verduras e frutas para rechear os pratos. Na verdade, eles também são fontes do nutriente, apenas contêm mais água. O valor calórico certamente será menor. A desvantagem, porém, é que, para saciar a fome, o volume da refeição pode ser maior.

 

Fechando a boca para cortar calorias

Você é adepto do velho método de emagrecimento: fechar a boca. Afinal, sem nada a mastigar, é mais fácil cortar calorias. Ao pular refeições, a variedade de alimentos pode ficar comprometida, sem a oferta de nutrientes importantes para o organismo, como as vitaminas e os minerais, que facilmente podem ficar abaixo dos níveis recomendados , corrige o mau hábito, a responsável pela equipe nutricional do Dieta e Saúde, Roberta Stella.

Além desse fator desfavorável à saúde, a nutricionista lembra que a atitude pode ser tornar em um furo n água para quem quer emagrecer, já que o jejum prolongado favorece o excesso alimentar em algum momento do dia. Quando se está com muita fome, é mais fácil ceder às tentações e extrapolar nas porções. Sem contar que, depois do jejum, muita gente acha que merece se dar um presente, que, normalmente, são bombas calóricas .

O resultado da privação alimentar por horas seguidas, a longo prazo, são deficiências alimentares e descontrole do ponteiro da balança. Outro grande problema da alimentação errônea é que, não tendo resultados, a pessoa acaba perdendo a disciplina e determinação para seguir uma reeducação alimentar adequada, ressalta a especialista.

A melhor maneira para driblar o problema é somar as calorias da dieta e distribuí-las entre as três refeições principais (café-da-manhã, almoço e jantar) e os lanches intermediários. É muito importante estipular horários para as refeições e cumpri-los. A falta de disciplina neste quesito acaba fazendo com que as pessoas fiquem sem comer durante longos intervalos. Ou ainda, acontece o contrário, quando a pessoa passa a beliscar a toda hora, perdendo a noção da quantidade de alimentos e calorias ingeridas durante o dia.

 

Comemorações em excesso

Umas duas happy hours durante a semana e o merecido chopinho com os amigos aos finais de semana colocam você em dúvida: será que não está bebendo além da conta? O consumo de bebida alcoólica acima de 20 gramas de álcool por dia já é considerado um excesso. Esta quantidade equivale a três copos de cerveja, por exemplo, sendo que dois dias da semana precisam ser de abstinência, sem nenhuma ingestão , informa a nutricionista Roberta Stella sobre a quantidade estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O alerta vale também para quem consome bebidas alcoólicas ocasionalmente. A especialista explica que o álcool pode aumentar a pressão arterial, agravar quadros de gastrite e até levar ao desenvolvimento de algum tipo de derrame.

Cada grama de álcool fornece sete calorias, quantidade que ultrapassa as quatro calorias oferecidas pelo grama de carboidratos e de proteínas. Se o objetivo é emagrecer, o cuidado na dosagem das bebidas alcoólicas precisa ser redobrado, para não prejudicar a alimentação e, claro, a saúde, garante a especialista.

“Além disso, o consumo indiscriminado de bebidas alcoólicas pode levar à dependência. O uso excessivo, frequente e crônico está relacionado a diversas doenças. Entre elas, depressão, cirrose, pancreatite, ulcera, desnutrição, câncer de boca, esôfago e laringe”, diz Roberta Stella.

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